quarta-feira, 16 de abril de 2008

Imemorial X. A incógnita do tempo.

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Téc. mista s/tela, 90x130cm (+-), 1999. Alguns decalques ou relevées pintados a partir de gravuras de Foz Côa. foi usado giz, argila, pigmento azul ultramarino e tintas acrílicas.

Pintura inexistente (?). Após uma tempestade exterior a obra foi destruída (?) num dilúvio laboratorial.

Pintura de Luís de Barreiros Tavares.


O Sopro (Atharva Veda 11.4)

Homenagem ao Sopro ! Sob seu controlo está este universo.
Ele é o mestre de todas as coisas.
Tudo nele tem as suas fundações.

Homenagem, Oh Sopro, ao teu clamor,
homenagem ao teu trovão !
Homenagem, Oh Sopro, ao teu relâmpago,
homenagem a ti, Sopro, quando choras !

Quando o Sopro com o seu trovão
atravessa as plantas rugindo,
estas são fecundadas, recebem os germes de vida,
e renascem em grande número.

Quando, é chegada a estação, o Sopro
atravessa as plantas rugindo,
então regozijam-se todas as coisas
que estão à superfície da terra.

Quando o Sopro alaga
com sua chuva a vasta terra,
então os animais se regozijam:
«haverá abundância para nós» pensam eles.

Penetradas pela chuva, as plantas
trocam de falas com o Sopro:
«Tu prolongaste a nossa duração de vida,
tornaste-nos todas perfumadas.»

Homenagem te seja feita quando vens,
homenagem te seja feita quando vais,
homenagem a ti quanto te ergues,
homenagem a ti, enfim, quando assentas !

Homenagem a ti, Sopro, quando respiras,
homenagem te seja feita quando inspiras,
homenagem a ti quando te afastas,
homenagem a ti quando te abeiras !
Esta homenagem é para o todo de ti.

O corpo amado que é o teu, Oh Sopro,
o corpo mais amado que é o teu, Oh Sopro,
e o remédio que a ti pertence
perscreve-no-lo para que vivamos !

O Sopro reveste os seres
como o pai reveste o seu filho amado,
o Sopro é mestre de todas as coisas,
do que respira e do que não respira.

O Sopro é a morte, o Sopro é a febre,
os Deuses reconhecem o Sopro por tal.
É o sopro que dispõe no mundo
supremo o ser que profere a verdade.

O Sopro é Viraj, o Sopro é Destri :
todos reconhecem o sopro enquanto tal.
O Sopro é o sol, ele é a lua.
É dito também que o Sopro é Prajapati.

A expiração e a inspiração são o arroz e a cevada.
O Sopro é tido por Animal de tiro.
A expiração encontra-se situada na cevada,
a inspiração é denominada arroz.

O homem inspira, o homem expira,
estando ainda na matriz.
Desde que o animes, Oh Sopro,
ele sucede em nascimento.

O Sopro é, diz-se, Matarisvan,
o Sopro chama-se Vento.
No sopro reside o que foi e o que será.
No Sopro todas as coisas têm o seu assento.

Filhas dos Atharvan, bem como dos Angiras,
divinas ou bem nascidas do homem,
as plantas tomam nascimento,
vegetais quaisquer que sejam.

Aquele que de ti é disso ciente, Oh Sopro,
aquele em que tens os teus fundamentos,
todos lhe levarão o seu tributo,
que eles levem assim o seu tributo
Áquele que te escuta, a ti que escutamos com fruto !


(Atharva Veda 11.4)

In: Le Veda, Textes réunis, traduits et présentés
sous la direction de Jean Varenne, Paris, Les Deux Océans, 1984, p.344.
No capítulo: Hymnes, Spéculations.

Tradução-Versão: Luís de Barreiros Tavares

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Je ne sais pas..... Daruma (Bodhidharma)

Desenho de Hakuin

"L'empereur Wu est un bouddhiste fervent. Bodhidharma se rend à la capitale pour le rencontrer.

«J'ai construit de nombreux temples, fait recopier des sutras et aidé un nombre incalculable de moines, dit l'empereur. Quels mérites puis-je en espérer?
- Aucun mérite, répond Bodhidharma.
- Mais quelle est la sainte vérité?
- Un vide insondable et rien de sacré.
- Alors, qui est en face de moi?
- Je ne sais pas.»

Et Bodhidharma partit de la capitale."

Pierre Crépon, Les Feurs de Bouddha, Albin Michel, 1991.


A parada "Oriente/Ocidente"?



Escultura readymade. Fountain. Ou: «Urinol Invertido». 1917.


Marcel Duchamp

Há teóricos que estabelecem paralelos entre esta «imagem» (?) e a do Buda. Mas também, se não me engano, entre ela e um ícone bizantino, por exemplo. Ou até mesmo com a «Nossa Senhora».
Fountain foi uma 'blague' no início do século XX. E as blagues sucedem-se... Ah! Se não fossem elas...

terça-feira, 8 de abril de 2008

Thich Nhat Hanh (Vietnam)



Sutra Anuradha

“Tathaghata quer dizer «aquele que chegou assim» ou «aquele que partiu assim».

No Sutra Anuradha, o Buda responde a uma questão que causava perplexidade a muitos monges: «Que acontece ao Tathagatha depois da morte? Continuará ele a existir? Cessará ele de existir? Continuará, ele, e cessará, ao mesmo tempo, de existir? Não continuará e não cessará, ele, ao mesmo tempo, de existir?»

O Buda perguntou a Anuradha: «Que pensais acerca do seguinte? O Tathagatha poderá ser reconhecido através da forma?
-Não, mestre.
-O Tathagatha pode ser reconhecido no exterior da forma?
-Não, mestre.
-O Tathagatha poderá ser reconhecido através do sentimento, da percepção, das formas mentais, ou da Plena Consciência?
-Não mestre.
-Anuradha, uma vez que não encontrais o próprio Tathaghata nesta vida, porque razão querereis resolver o problema de saber se continuarei ou cessarei de existir, ou se continuarei e se cessarei de existir, ao mesmo tempo, ou se, ao mesmo tempo, não continuarei e não cessarei de existir?(1)»

“Robert Oppenheimer, o físico conhecido como o pai da primeira bomba atómica, teve a oportunidade de ler esta parte do Sutra Anuradha. Graças às suas observações sobre as partículas ele compreendeu que elas não poderiam ser limitadas pelos conceitos de espaço, de tempo, de ser, de não-ser. Veio a escrever: «Para o que aparece como sendo as questões mais simples, temos tendência, ao mesmo tempo, a não lhes dar resposta e a dar uma resposta que faria à primeira vista pensar num estranho catecismo como o são as afirmações peremptórias das ciências físicas. Se nos perguntamos, por exemplo, se a posição do electrão permanece a mesma, somos forçados a responder «não»; se nos perguntamos se a posição do electrão muda com o tempo, seremos forçados a responder «não»; se nos perguntamos se o electrão se encontra em repouso, somos forçados a responder «não»; se nos perguntamos se ele está em movimento, somos forçados a responder «não»(2).

Como vemos , a linguagem da ciência começou a aproximar-se da do budismo. Após ter lido a citação que apresentámos, retirada do Sutra Anuradha, Oppenheimer declarou que, até ao século XX, os cientistas não haviam sido capazes de compreender as respostas de Buda realizadas há dois mil e quinhentos anos.”

1. Anuradha Soutra (Samyutta Nikaya,XLIV,2)
2. J.Robert Oppenheimer, Science and Common Understanding (New York: Simon and Schuster, 1954), p.40. Trad.fr. La Science et le bon sens, Gallimard, 1963.


Thich Nhat Hanh, La Vision Profonde, De la Pleine Conscience à la Contemplation Intérieure, Traduit de l'anglais par Philippe Kerforne, Paris, Albin Michel, col. Spiritualités Vivantes,1995, p.145.

Versão-Tradução para Português: Luís de Barreiros Tavares.

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Meditação





S/título. Téc.mista s/tela, 50x60cm,2001

Autor:L.B.T.

Colecção privada. Cláudio Boino.

http://www.meialivraria.blogspot.com

quarta-feira, 2 de abril de 2008



Quadrângulo Negro. Ou quadrado negro sobre fundo branco (1915).

Malévitch chamava ao fundo branco "escarros em movimento".




Kasimir Malévitch

http://www.abcgallery.com/M/malevich/malevich95.jpg



«A Terra está está abandonada como uma casa que as térmitas roeram de lado a lado… - escreve ele em 1916. - A superfície plana suspensa da cor pictórica sobre o pano da tela branca dá imediatamente à nossa consciência a forte sensação do espaço. Sinto-me transportado por um deserto abissal onde se sentem os pontos criadores do universo à nossa volta… Aqui (sobre as superfícies planas), consegue-se obter a corrente do próprio do movimento como pelo contacto de um fio eléctrico…»

Kasimir Malévitch
In Gilles Néret, Malévitch, Taschen,p.56