domingo, 7 de setembro de 2008

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Estudo de 'botas de camponesa' de Van Gogh
Acrílico sobre tela sintética colada em tábua, 25x35cm +-.
Pintura de Luís de Barreiros Tavares
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Na escura abertura do interior gasto dos sapatos, fita-nos a dificuldade e o cansaço dos passos do trabalhador. Na gravidade rude e sólida dos sapatos está retida a tenacidade do lento caminhar pelos sulcos que se estendem até longe, sempre iguais, pelo campo, sobre o qual sopra um vento agreste. No couro, está a humidade e a fertilidade do solo. Sob as solas, insinua-se a solidão do caminho do campo, pela noite que cai. No apetrecho para calçar impera o apelo calado da terra, a sua muda oferta do trigo que amadurec e a sua inexplicável recusa na desolada improdutividade do campo no Inverno. Por este apetrecho passa o calado temor pela segurança do pão, a silenciosa alegria de vencer uma vez mais a miséria, a angústia do nascimento iminente e o tremor ante a ameaça da morte. Este apetrecho pertence à terra e está abrigado no mundo da camponesa. É partir desta abrigada pertença que o próprio produto surge para o seu repousar-em-si-mesmo.

Martin Heidegger, A Origem da Obra de Arte, trad. M. Conceição Costa, Ed. 70, 1992, p.25.

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"O Apelo da Terra", mixed midea on canvas, 100x100cm, 2000.
Esta obra foi exposta na bienal da festa do Avante (2001).
Col. Aut.
Un moine vint trouver Chou-chan et lui demanda:
« Je vous en prie, jouer-moi une air sur une harpe sans cordes.»
Le maître resta silencieux un bref instant et lui dit:
L'entends-tu? - Non, je ne l'entends pas. - Et pourquoi, dit le maître, ne l'as-tu pas demandé plus fort?»






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Do livro:
Suzuki, D.T., Essais Sur le Bouddhisme Zen, premiére série, p.351.

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maximize o infra-fino.


L'infra mince. Evocando Marcel Duchamp

"7.

[...] Dans le temps un même objet n'est pas le même à 1 seconde d'intervalle.

Quels rapports avec le principe d'identité?"


"11v.

Quand la fumée du tabac sent aussi de la bouche qui l'exale, les 2 odeurs s'épousent par infra mince (infra mince olfactif)."


"18. La différence (dimensionelle) entre 2 objets faits en série [sortis du même moule] est un infra mince quand le maximum (?) de précision est obtenu."


in Duchamp. M., Notes, Paris, Champs, Flammarion, 2005.







Títulos: "Sem título", "Cabeça de touro" (2004), "Pós-contemporâneo?" (2011), "Onde está a Europa?","Where is Europa?", "Oú est l'Europe?"
Técnica mista sobre tela, 55cmx66cm. Pintura de Luís de Barreiros Tavares.
Obra oferecida ao Professor Eduardo Lourenço.
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Isto não é pré-histórico, Técnica mista e colagem (ferro) sobre tela, 70x90cm + -, 2001.
Colecção particular
Pintura de Luís de Barreiros

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Sem título, ou Psychê, técnica mista sobre tela, 116x80cm, 1999.
Pintura de Luís de Barreiros Tavares
Obra destruída

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Bisonte, técnica mista sobre tela, 116x80cm, 1999.
Pintura de Luís de Barreiros Tavares
Colecção de Luísa Pinto Ramos
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Obras espoxtas no acervo 2001 em Leiria pelo Colectivo Perve galeria arte e multimédia.
http://www.perve.org.pt/Acervo/index.html
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No canto direito a tela cujos títulos possíveis são: "acroásis", "o grande ouvido" ou "a escuta do muro" (colecção privada). Ao centro obra apagada e ao canto da parede obra modificada.
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Pintura de Luís de Barreiros Tavares do lado direito da foto.



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Quatro pinturas de Luís Tavares do lado esquerdo da foto.














O bosque
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"O Bosque", 2001. Esta obra pode ver-se ao fundo na foto que a precede numa mostra da Perve galeria arte e multimédia.
Sobre esta pintura foi feita uma outra.
Porém, esta não lhe fica atrás.
By LBT


Ver esta e outras obras do autor em exposição da Perve Galeria Arte e Multimédia:

http://www.perve.org.pt/sensus/img_gra_sur/Imagem2.jpg
http://www.perve.org.pt/sensus/img_gra_sur/sala2_cNichos.jpg

http://www.perve.org.pt/Acervo/index.html


 

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

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Un monje le preguntó al maestro Tung shan: " Qué es el Budha?" Tung Shan le respondió: " Tres libras de lino!"









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Toshihiko, I., El Zen Kôan, p.20.
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http://thebuddhistblog.blogspot.com/2007/12/blending-christmas-with-winter-solstice.html
" Segundo um determinado ponto de vista, todos os princípios célebres do Zen expressam-se por meio de um puro absurdo. Por exemplo, o Zen diz:

Com as mãos vazias, tenho entre elas um canivete,
Caminho a pé, porém cavalgo nos lombos de um boi,
e, ao passar sobre a ponte, eis que
não é a água que flui, mas sim a própria ponte.

Este texto, que se coloca em aparência como todo um tecido de contradições flagrantes, é pleno de sentido segundo as coordenadas do Zen. Efectivamente, dizer num contexto Zen: " Tenho as mãos vazias e um canivete entre elas; caminho, mas cavalgo um boi; a água permanece quieta, enquanto a ponte flui" tem muito mais sentido que afirmar: " Não tenho as mãos vazias, uma vez que sustenho entre elas um canivete; caminho, logo não cavalgo sobre um boi; o rio flui enquanto a ponte permanece imóvel". Como e assente em que bases se pode afirmar que este tipo de enunciado absurdo se encontra pleno de sentido no Zen?


(...)"

Toshihiko Izutsu, El Kôan Zen (Op.cit.), p.19.
Trad.:lt.
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Hotei on a boat
By Reigen Eto
"Chü Chih foi um célebre mestre do século IX. De cada vez que se lhe colocava uma questão sobre o zen, tinha o costume de levantar um dedo. Essa era a sua invariável resposta.
(...)
A anedota tem uma continuação de enorme importância.
O mestre Chü Chih tinha um jovem discípulo, um aprendiz que seguia o mestre e o servia constantemente. Havendo observado o seu comportamento, o moço começou por sua vez a levantar o dedo quando, na ausência do mestre, lhe era colocada uma questão sobre o Zen. Ao princípio, o mestre não se deu conta e as coisas corriam como era hábito. Porém, chegou o momento fatal quando se apercebeu do que o gaiato fazia nas suas costas.
Assim, um dia, escondendo um canivete na sua manga, chamou o discípulo e disse-lhe: "Inteirei-me de que compreendeste a essência do budismo. É correcto?" É exacto", respondeu o rapaz. Perguntou então o mestre: "Que é o Buda?". E o moço respondeu, de pronto, levantando um dedo. Chü Chi agarrou-o e cortou-o. E, quando o discípulo desatou a correr uivando de dor, o mestre tornou a chamá-lo e a sua pergunta estalou como um relâmpago: "Que é o Buda?". E o cachopo, obedecendo a uma espécie de reflexo, logo levantou o dedo cortado. E nesse preciso momento alcançou a iluminação. Esta anedota revela possivelmente um acontecimento fictício. Todavia, inventado ou real, não deixa por isso mesmo de ser uma admirável dramatização do que poderíamos chamar a experiência Zen."
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Toshihiko Izutsu, Op.cit., p.18.
Tradução de L.T.




"A stone causes a ripple in Totekiko

stone garden, demonstrating the truth

that the still water (mind) reflects

reality purely, but as soon as a stone

(thought) makes riplles reality

becomes distorted."


Do livro: Zen, Direct pointing to reality de Anne Bancroft (Ed. Thames and Hudson, 1987)










Segunda imagem: Totekiko (small stone garden), Ryougen-in Temple, Daitokuji, Kyoto: www.flickr.com/photos/26151034@N00/2343849049/

Versão:

Uma pedra produz uma onda no jardim das rochas Totekiko,

demonstrando que a verdade enquanto água calma (mente) reflecte

puramente a realidade, mas logo que uma pedra (pensamento) produz ondulações

a realidade devém distorcida.





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quinta-feira, 4 de setembro de 2008



O Sinete (selo?) de Yen-t'eou

Três monges, Siue-feng, K'in-chan e Yen-t'eou, encontraram-se no jardim do templo. Siue-feng
viu um sinete e apontou-o com o dedo. K'in-chan disse:

- A água é clara, e a lua reflete a sua imagem.

- Não, não, disse Siue-feng, não é a água, não é a lua.

Yen-t'eou voltou o sinete.



Nyogen: Quando Siue-feng mostrou o sinete com o dedo, fazia alusão ao corpo de Buda impregnando o mundo. Assim como K'in-chan e este antigo poema budista:



A lua do Bodhisattva,

Clara e fresca,

Flutua no céu vazio.

Se o espírito de um ser animado

Se apazigua a si mesmo

Como um lago tranquilo,

A esplêndida imagem da bodhi

Aparece lá no não-tempo.


Siue-feng põe o acento sobre o númeno e não sobre o fenómeno quando diz: «Não é a água, não é a lua.» Yen-t'eou volta o sinete para apagar a própria denegação. O Zen não é nem uma filosofia nem uma religião."


Cent Kôans Zen, commentés par Nyogen Senzaki, Paris, Albin Michel, Spiritualités vivantes, p.78, 2005.
Trad. L.T.
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Hakuin Ekaku (1685-1768)« back
Side View Daruma 89.6 x 26.7 cm

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

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hotei waking from a nap

By Gibon Sengai

hotei acordando de uma sesta
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Meditating Daruma, by Nobutada (1565-1614)

http://www2.kenyon.edu/Depts/Religion/Fac/Adler/Reln360/syl360.htm








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5.1
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'Petit xiprer', 2001.Óleo/ tela.33 x 41 cm.
By: Joan Hérnandez Pijuan
Escucha...! de nuevo...!


Um Mondô Zen


He aquí la anédocta tal como viene transcrita en el Pi Yen Lu:


Escucha! Un día, Ma Tsu estava en camino hacia alguna parte acompañado de Pai Chang, cuando vieron de pronto un pato salvaje que pasaba por encima de ellos. Ma preguntó: «Qué es?» y Pai respondió: «Un pato salvaje». Ma:« A dónde vuela?». Pai: Ya se ha marchado!». Al oír esto, Ma agarró la nariz de Pai Chang y se la torció violentamente. Pai gritó de dolor:« Ay!». Ma dijo entonces: « Cómo puedes decir que el pato salvaje se ha marchado?»


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«Escuta! Um dia Ma tsu estava de caminho para algum lugar acompanhado de Pai Chang, quando viram de súbito um pato selvagem que passava por cima deles. Ma perguntou: « O que é?» e Pai respondeu:« Um pato selvagem». Ma: « aonde voa?». Pai: «já abalou!». Ao ouvir isto, Ma agarrou no nariz de Pai Chang e torceu-o violentamente. Pai gritou de dor: «Ai!». Ma disse então: « Como te atreves a dizer que o pato selvagem já abalou?»




Toshihiko Izutsu, El Kôan Zen, p.87.
Trad. L.T.






Toshihiko Izutsu
O Tao




Quando um espírito superior escuta o Tao
pratica-o com zelo.
quando um espírito médio escuta o Tao,
ora o conserva, ora o perde.
quando um espírito inferior escuta o Tao,
ri-se às gargalhadas;
se não risse
O Tao deixaria de ser o Tao.

Porque diz o adágio:
O caminho da luz parece obscuro,
o caminho do progresso parece retrógrado,
O caminho plano parece irregular.
A virtude suprema parece vazia,
A candura suprema parece maculada;
a muita virtude parece insuficiente,
a virtude sólida parece negligente,
a virtude profunda parece flutuante.

O grande quadrado não tem ângulos.
O grande vaso demora a completar.
A grande música quase não tem sons.
A grande imagem não tem forma.
O tao oculto não tem nome.
E, no entanto, é só ele
que ampara e completa todos os seres.



Lao Tse, Tao te King, Ed. Estampa, Trad. António Melo,1977.



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Une belle fille
avec bruit mastiquant
le gâteau de chimaki*



Issa



*Boulette de riz envelopée dans une pousse de bambou
Haïkus, op.cit.
























Inter-legos